segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

2 maçãs

Eu me deparei com a dúvida do que é ser humano.
Não encontrei raízes semióticas para reforçar o fundamento da criatura que carrega a pecha de animal racional.
Um único olhar pelos últimos séculos, demonstra que
sentimentos menores conduzem a humanidade.
A falha teológica em se acreditar num ser trino, mesmo que em forma de dogma , nos conduz ao parecer metafísico da dualidade do ser humano que não condiz com o que nos elucida as ciências modernas.
Separar o corpo do espírito, como se fossem duas metades, é um simples arraigado sentimento de maniqueísmo , onde bem e mal conflitam os quereres do equilíbrio.
Estendo o raciocínio para a amplitude do universo, nos
deparamos com um ser “todo poderoso”, onisciente, onipresente e onipotente que
tudo pode, sem nos legar um mínimo de justificativa. Que habita um plano exclusivo, e sequer seu rosto pode ser contemplado por meros seres humanos,
mas com total inferência sobre a matéria.
Ora, se a inferência é sentida,
logo, pode ser medida, quantificada, e reproduzida. É uma lei universal.
Toda ação mensurada pode ser reproduzida,
programada. Se descobríssemos como opera Deus, poderíamos duplicar suas ações,
e se seus desígnios são um mistério, já podemos estar no limiar de sua criação sem saber.
O próprio ato de pensar, é uma maravilha sem precedentes. O fato de
lembrarmos , até mesmo o que não pensamos, nos indica que de posse do
conhecimento, somos capazes de emular qualquer atividade.
É bom divagar pelo ato da criação universal. Perceber a mecânica celeste, uma construção
tão perfeita, tão gigantesca, que é impossível ser reproduzida pelo
conhecimento atual, mas com esforço isolado de alguns homens, seus meandros são postos à lume. Retorno aqui, ao arquétipo da árvore do bem e do mal.

Uma fruta, a maçã,
ofertada como prova de arrogância humana
(ah, vale lembrar que arrogância, nessa acepção, remonta ao conceito latino de AB, prefixo de negação, afastamento, ROGARE, suplicar, pedir. Arrogância tem por definição: não pedir, não suplicar. Buscar por si só) Duas vezes a maçã, tem papel de fundamental importância no
conhecimento humano. Na exegese bíblica a maçã é usada figurativamente como símbolo de liberdade. Avançando alguns séculos, nos encontramos no Jardim de Newton, pai da física moderna, que acreditando ou não na lenda do Éden, com uma maçã nos deu ligames para a liberdade da Terra. Sim, é um contra-senso, a descoberta da gravidade que traz tudo para à Terra, ser a mesma força que nos impulsiona para o espaço, céu, paraíso - se
quiser assim.
Recoloque suas idéias ao nível do espanto, e jogue algo para o alto, acompanhe o movimento descendente . O que depreende disso tudo?
Uma lei universal obriga a tudo o que sobe descer, mas se vencida esse lei, há um universo a se galgar. Qual o sentido de uma lei universal, amplamente percebida, sentida, em níveis terrestres, mas sobremaneira inútil quando se desliga da terra? Qual
a validade de uma lei que só pode ser aplicada a prisioneiros da gravidade ?
qual é a de um Deus que cria leis diferentes para diferentes
situações?

Se são desígnios celestes, além do parco conhecimento que possuo, ou algo
aquém do espiritual, eu me conluio à dúvidas, questionamentos, ceticismos e
tudo o mais que o pensar-razão nos pode ofertar.
Se dizendo ter certeza da existência de um ser poderoso, o ser humano já é capaz de
tais atrocidades , fico imaginando o que fariam se a certeza fosse da ausência total de Deus. Tudo se permite na presença de Deus! O que poderia acontecer na ausência de Deus para as pessoas? Ah, é cansativo ler o óbvio.
Vou resumir: Jardim do Éden e maçã. Jardim de Newton e maçã.
Originalidade é só com Deus?? Deus é um só?? Deus é? Na vida real acontecimentos se duplicam, multiplicam. (Percebi há tempos que eu sou único. Não há ninguém igual a mim.)
Silogismo de Sócrates.

Cada ser humano é único.

(Deus é único?)

Somos deuses em construção?

sem pensar!

Notei que você se parecia com alguém que eu amei muito, e por isso uma idéia irresistível entrou-saiu de meu cérebro doente. Realizei-a imediatamente. Imaginei que eram os primeiros tempos de amor, e meu amor ia, de vez em quando, visitar-me às escondidas. Eram dias de festa para o meu quarto. Chegavam flores, acendia-se o fogo alegremente. Era tudo nupcialmente enfeitado para a recepção do meu amor. Muitas vezes eu ficava olhando para ele, sentada no chão, próxima, durante as horas silenciosas em que nossas mentes se falavam. Via-o como a um Merlin - ele, a transformar em paraíso o pequeno espaço solitário em que tantas vezes eu chorara. Estávamos ali, no meio de todos aqueles livros, de todas aquelas frases não ditas espalhadas, de todos aqueles móveis que mobiliavam minha alma.
Mas então eu o perdi. Depois disso a lembrança de meu amor não cessavam de me perseguir; tiravam-me o sono. Meus livros, minhas paredes, me falavam dele. Eu não podia suportá-los. Minha cama expulsava-me para a rua. Eu tinha medo quando não chorava. Então me tornei um escombro.
Mas os dias passam...
Nos escombros do meu eu –eu disse o que restava, mas você quis e foi pra lá que levei você.
Lembra..? Pedi-lhe que se sentasse de costas voltadas para mim. Pedi que ficasse em silêncio. Depois, arrumei o quarto, como outrora para meu amor. Coloquei as coisas no mesmo lugar em que me lembrava de terem estado. Geralmente, em todas as nossas idéias de felicidade, há uma certa recordação que domina: um dia, uma hora que superou todas as outras... Depois de tudo arrumado, acendi bem o fogo e, sentando-me sobre o calcanhares, começou a enervar-me um desespero sem limites. Desci até o fundo do meu coração, para senti-lo torcer-se, comprimir-se. Lembrei de uma música e murmurei sua melodia...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

a liga extraordinária

maravilhoso... um tédio de filme para muitos, mas eu adorei. e daí?
curiosidades, pra c0ompreender algumas coisas não ditas...rs!

- Os personagens literários de A Liga Extraordinária são: Allan Quatermain ("As Minas do Rei Salomão", de H. Rider Haggard), Mina Harker ("Drácula", de Bram Stoker), Henry Jekyll e Edward Hyde ("Dr. Jekyll e Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson), Rodney Skinner ("O Homem Invisível", de H.G. Wells, porém, uma observação aqui, antes que algum chato maldito se manifeste: O nome correto do Homem Invisível no livro de H.G. Wells é Sr. Griffin, e na Graphic Novel foi batizado de Hawley Griffin, mas este teve que ser alterado em A Liga Extraordinária devido a problemas com direitos autorais.), Capitão Nemo ("20.000 Léguas Submarinas", de Julio Verne), Dorian Gray ("O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde), Tom Sawyer ("As Aventuras de Tom Sawyer", de Mark Twain) e Professor James Moriarty ("The Final Problem", de Arthur Conan Doyle).



- O design da máscara do fantasma é uma citação a "O Fantasma da Ópera", de Gaston Leroux.

- O personagem M, interpretado por Richard Roxburgh, é uma alusão ao personagem de mesmo nome da série de aventuras de James Bond, escritas por Ian Fleming.

- O personagem Tom Sawyer não está presente na graphic novel de Alan Moore e Terry O'Neill que serviu como base para A Liga Extraordinária. Sua inclusão foi decidida pelos produtores do filme, de forma a ter em cena um personagem famoso da literatura norte-americana, que pudesse atrair mais público no mercado interno, ou seja, malditos americanos...

- As cenas do filme situadas em Londres foram na verdade rodadas em Praga, na República Tcheca.

- Quando a Liga está em Paris seus integrantes passam por um muro onde está um pôster, anunciando a proximidade do Carnaval. Neste pôster são visíveis dois nomes, Dr. Alan Moore e Dr. Terry O'Neill. Ambos são os criadores da graphic novel em que A Liga Extraordinária foi baseado.

- A revista que aparece na mesa de Allan Quatermain é "The Strand", onde Arthur Conan Doyle publicou as primeiras histórias de Sherlock Holmes.

putz... alan moore é malucão, mas seu enredo manda bem.

Poesia de Lau Siqueira

Internet é uma coisa foda...


Meio do mundo



Essa coisa monótona que te faz ver tudo da mesma forma... tempo não é. O tempo gira na direção dos ventos que te levam.

O tempo é um círculo.

Amanhã, é uma palavra velha. Bolha diluída no primeiro olhar do Sol. E já que estou vendendo o suor dos ossos, quero a solidariedade da alma. Que deposite, então, seu sêmen nos redutos futuristas.

Mas, como abandonar essa calma libertária diante das botinas sociais do homem? Vivo a empinar palavras, para depois soltá-las: pássaro...

Vejo pela janela o escuro da cidade, com seus telhados vermelhos, lâmpadas, antenas e sistemas.

Quando um dia sumir no dorso de um hiato, nenhuma lembrança seguirá comigo. Lembranças são elos de quem fica.

Então, espalho poemas.

(...)

in:
http://www.lausiqueira.blogger.com.br/2004_02_01_archive.html

No caminho...

COM MAIAKÓVSKI!!


"Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!"


Eduardo Alves Costa escreveu *No caminho com Maiakóvski* nos anos 60. Maravilhoso... ganhei da D. Cleusa quando fiz 18 anos. Saudade do tempo em que eu ganhava livros, hoje eu os compro, mas parece que não tem a mesma magia... rsssssss

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

good times...

um amigo de tanto tempo atrás apareceu, pra minha alegria. me fez lembrar de um tempo em que eu lia tanto... que tinha tanta informação... mas sempre me parecia pouca...

lembro que entrei para um grupo de discussão... o tema era Idade Média... rs, dividido em ordens e blovers and blenders...rssssss

lá vai.


"Salut!
Ao preencher um formulário para entrar num grupo de Filosofia Medieval, teria que escolher entre duas Ordens...as demais já descartadas por não me satisfazerem os princípios - o que me levaria conseqüentemente a não satisfação dos princípios destas - a Ordem dos Bardos e a dos Filósofos. Lembrei-me que certa vez, lendo um Ensaio, deparei-me com uma comparação entre Filosofia e Poesia. O assunto me prendeu de imediato, pois estavam ali sendo tratados dois temas que são para mim plenos, pois têm significações apenas pelo próprio emanar do seu som.
Neste ensaio, comparava-se a Filosofia à uma Coruja, e a Poesia ao Rouxinol. O rouxinol bem sabemos de sua beleza e graça, (basta que lembremos Shakespeare), algo como o sol e a vida. E a coruja lembra noite, morte. É o ódio à luz, ela representa o mal. E sendo assim, lendo o Ensaio, detida pela ignorância do primeiro momento, numa atitude meramente humana, escolhi o rouxinol.
Mas depois, veio-me em mente que também há um significado legítimo na coruja. Ela vê no escuro. Isto fazendo com que evidentemente, tenha que representar a Filosofia, pois esta tem em um significado mais amplo, toda a magia do * ver onde ninguém mais vê *, ou seja: onde o homem comum nada percebe, o filósofo vê e compreende. A coruja é luz intelectual . para ela não há escuridão. Mas o Rouxinol... ah, é encanto.
Qual Ordem escolher então?
...
A sabedoria é desejável... e a beleza é amável. A filosofia ilumina, mas a poesia encanta... Deveria preferia o saber e excluir a beleza? Ou escravizar-me à beleza e repelir a sabedoria?...
Depois de refletir muito, e (refazer minha conexão infinitas vezes, devido ao longo tempo na redação de um e-mail...) cheguei ao ponto que buscava. Penso que não conseguiria separar o teórico do prático... muito menos o abstrato do real. De que vale a teoria sem a realidade? De que vale a verdade sem a poesia? Amamos contemplar a concórdia dos elementos aparentemente opostos... isso é ser * humano*. Por estes motivos meramente humanos... por acreditar que a luz da Filosofia é por demais difusa sem a harmonia da poesia, é que optei pela Ordem dos Filósofos...

... mas com rápidas passagens pela Ordem dos Bardos em minhas reflexões.
"In lumine tuo, videbimus lúmen"
Sýmarýk
Ordem dos Filósofos"

sábado, 5 de janeiro de 2008

Toca Raúuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú

Quando estive em ctba na semana passada peguei o mp3 do meu pai pra recarregar (com outras músicas)... e desta vez, além do almir guineto e jean michel jarre, lasquei uns raul, robert johnson, ella fitzgerald, billie holiday, nat king cole, louis armstrong, e por aí vai... acho que o meu véinho vai curtir. hehehe... falando nisso, tirei da lembrança, e vai argures sobre o raul.... (na faculdade a gente aprende coisas estranhas, porém, excelentes tb...;)

Raul Seixas, um dos mais controversos e geniais músicos da história de nossa música popular brasileira, morto, como tantos outros. Apesar de estar longe do esquecimento absoluto e sempre ser lembrado em datas como as da morte, do nascimento, da fuga do opala etc, uma constatação é triste: preciso aprender a ouvir Raul Seixas. Não só eu, isso me tranquiliza, mas principalmente a estagnada elite intelectual/ musical brasileira, que nunca aceitou Raul por sua não filiação a nichos específicos (esquerda marxista, MPB, nacionalismo cego, etc) quanto, principalmente, seus fãs, que nada mais fazem que distorcer os 21 anos de uma carreira repleta de tesouros musicais em simbolismos baratos como desculpas para vazias demonstrações de rebeldia, que de forma alguma faz jus à maluquice subversiva de Raul.
O que eu sei do Raul é que era um subversivo, mas também era popular, nunca deixou de ser e fazia questão disso, como o que vou percebendo em toda a obra que me está ao alcance. Era um cantor do povo em todos os sentidos que a palavra povo pode abranger. Raul também era uma pedra no sapato da ditadura e dos moralistas de plantão. O cara manda muito bem até hoje em matéria de filosofia (“Eu Sou a Areia da Ampulheta/ O Lado mais Leve da Balança”), amor livre (“Se eu te amo e tu me amas/ Um amor a dois profana/ O amor de todos os mortais”), existencialismo (“Vou subir/ Pelo elevador dos fundos que carrega o mundo sem sequer sentir/ Vou sentir/ Que a minha dor no peito que eu escondi direito agora vai surgir/ Vou surgir/ Numa tempestade doida pra varrer as ruas em que eu vou seguir”) e a dor de viver (Oh, morte, tu que és tão forte/ Que matas o gato, o rato e o homem/ Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar”).
Uma, especificamente, gravei pro meu pai ouvir: "mas, é que lá de cima, lá da beira da piscina, olhando os tristes mortaaaaaaaais, das alturas, fazem escrituras, e não me perguntam se é pouco ou demaaaais!" ele vai curtir, tenho certeza...hehehehe!
Espero ter tempo pra (re) ouvir Raul, pois uma obra dessa magnitude ficar pairando por aí sem ser captada é de um desperdício assustador.

Música: Judas.